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Busca desenfreada por dentes perfeitos pode afetar a saúde da boca

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Conforme a Associação Brasileira de Ortodontia e Ortopedia Facial de Santa Catarina, ABOR-SC, muitos pacientes pensam só na estética e prejudicam a saúde dos dentes

A importância com a estética é uma questão comum na sociedade contemporânea. Além do corpo, as pessoas também procuram um sorriso bonito e, para isso, buscam algumas ferramentas: é o caso das lentes de contato para os dentes. Elas estão em alta pois, se bem executadas, não são invasivas e têm a capacidade de mudar o formato e a cor dos dentes. A popularidade é tanta que a busca pelas lentes de contato superaram as cirurgias plásticas nos últimos anos, conforme dados apresentados pela Sociedade Brasileira de Odontologia Estética. O setor teve um aumento que ultrapassou os 300%, de 2014 para cá.

Contudo, a Associação Brasileira de Ortodontia e Ortopedia Facial de Santa Catarina (ABOR-SC) alerta para os possíveis riscos do uso indiscriminado destas lentes. Conforme o especialista e presidente da associação, dr. Gustavo Zanardi, é importante fazer um alerta sobre os riscos que muitas pessoas correm quando o procedimento é realizado sem necessidade ou indicação. Para o especialista, vivemos em uma fase onde existe a supervalorização da estética, rápida disseminação das informações e pressão dos pacientes em relação a resultados rápidos e até exagerados.

“A combinação destes fatores, somado à elevada concorrência profissional, parece promover alguns tratamentos que não são indicados para todos os casos. Cada vez mais os planos de tratamento induzidos pela mídia e o desejo dos pacientes de satisfazer suas demandas estéticas têm formado uma perigosa combinação, com pouco respeito ao risco/benefício do tratamento odontológico”. Ou seja, é necessário refletir se o tratamento é realmente importante ou necessário para o paciente, ou se existe apenas apelo estético em cima dos procedimentos.

As facetas não invasivas (também chamadas de lentes de contato dentais) são feitas em porcelana, fabricadas em laboratório. Tratam-se de finas lâminas coladas sobre os dentes, cujo objetivo é melhorar a estética do sorriso aumentando os dentes, mudando sua forma ou cor e devolver a função (mastigação, deglutição e fala). Porém, conforme Gustavo alerta, elas não são indicadas para todo mundo.

“Uma minoria de pacientes pode receber esse tipo de restauração. Isso porque esta técnica consiste em não desgastar os dentes. Por isso é imprescindível que os dentes do paciente estejam completamente saudáveis, sem restaurações, escurecimento, tratamento de canal ou problemas de oclusão e de posicionamento em relação aos lábios” explica o presidente da ABOR-SC.

As facetas, portanto, não substituem o tratamento ortodôntico: são tratamentos complementares. “Se o paciente possui dentes tortos e mordida errada, deve primeiro corrigir o problema com um tratamento ortodôntico, e só depois realizar as restaurações estéticas. Isso é importante para a estabilidade e sucesso do tratamento.”, ressalta. Antes da ortodontia, ainda, é preciso analisar se a saúde bucal está em dia. Não se pode iniciar nenhum tipo de tratamento estético em uma boca doente, pois os riscos são enormes.


Quando bem indicadas, as lentes de contato podem durar 20 anos ou até mais. Entretanto, quando mal indicadas ou malfeitas, duram muito menos e com consequências graves para o paciente. “Elas podem ser fantásticas e duradouras, ou podem comprometer a saúde do indivíduo em médio e longo prazo, mesmo estando bonitas no sorriso. Procurem sempre um profissional capacitado e ético para fazer um diagnóstico correto e passar um plano de tratamento adequado. É importante que não sejam realizados procedimentos que não estejam completamente indicados, sob a luz da ciência, da clínica, da ética e da moral” completa dr. Gustavo.

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